Gêmeas unidas pela cabeça que morreram durante cirurgia de separação tiveram instabilidade da pressão arterial, diz HC
Gêmeas que nasceram unidas pela cabeça morrem em cirurgia final de separação em SP As gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de 2 anos e 7 meses, que morreram durante a cirurgia final de separação no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP), tiveram instabilidade da pressão arterial durante o procedimento. A informação foi divulgada nesta terça-feira (18), durante coletiva de imprensa da equipe médica responsável pelo caso. Segundo os profissionais, uma das meninas apresentou hipotensão enquanto a outra apresentou hipertensão. De acordo com o cirurgião plástico Jayme Farina Júnior, um dos coordenadores da equipe, várias instabilidades foram revertidas ao longo das 15 horas de procedimento. As meninas chegaram a ser separadas completamente, mas Helena apresentou uma parada cardiorrespiratória, seguida de Heloísa. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "Durante a separação, foi havendo uma instabilidade que foi a todo tempo sendo revertida, mas essa instabilidade se agravou no momento da separação, que foi por volta das 23h. A Helena apresentou uma parada e toda equipe fez o esforço necessário, todos os recursos foram utilizados, mas, infelizmente, não se reverteu. Logo em seguida, aconteceu com a Heloisa". LEIA MAIS Gêmeas que nasceram unidas pela cabeça morrem em cirurgia final de separação ‘Tudo o que a ciência conhece foi feito’, diz enfermeiro após morte de gêmeas unidas pela cabeça em cirurgia de separação no interior de SP ‘Mamãe ama vocês duas daí do céu’, escreve mãe de gêmeas que morreram em cirurgia de separação em Ribeirão Preto Até a última cirurgia, aproximadamente 75% do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados já tinham sido separados. "Na quinta cirurgia foram sendo desligados os outros 25%. Como essa união é complexa para os organismos das crianças, que já é um organismo mais frágil, na hora que faz aquela ligação final, o organismo sente". As mortes das meninas foram confirmadas na manhã de domingo (16). Elas foram enterradas em São José dos Campos (SP), onde a família vivia. Cinco cirurgias em um ano Heloísa e Helena começaram a passar pelas cirurgias em agosto de 2025. Desde o início, a equipe médica optou por dividir a separação em etapas, para reduzir os riscos e preparar as estruturas compartilhadas pelas meninas. A primeira cirurgia, em 23 de agosto de 2025, concluiu cerca de 25% da separação planejada. A segunda, em novembro, durou cerca de dez horas. Na terceira, em 28 de fevereiro deste ano, os médicos informaram ter alcançado aproximadamente 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos compartilhados. A quarta etapa, em 21 de março, teve outro objetivo. Os médicos instalaram bolsas expansoras para aumentar a quantidade de pele disponível na cabeça das duas, necessária para fechar os crânios depois da separação definitiva. Heloísa e Helena, de 2 anos, são gêmeas que nasceram unidas pela cabeça em São José dos Campos (SP) e estão em acompanhamento no HC de Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Terceiro caso no HC de Ribeirão Preto O caso de Heloísa e Helena é o terceiro de gêmeas craniópagas, como são chamadas as crianças que nascem unidas pela cabeça, conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, e o primeiro que termina com a morte de pacientes. O primeiro foi o das irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará. Elas foram separadas em 2018 depois de dois anos de acompanhamento e planejamento. Em agosto de 2023, o hospital realizou a separação definitiva de Alana e Mariah. A última cirurgia daquele caso durou 25 horas. Nos três casos, as equipes utilizaram exames de imagem e tecnologias de planejamento para estudar previamente as estruturas compartilhadas entre as crianças. No caso de Heloísa e Helena, o planejamento durou mais de um ano e incluiu tomografias, ressonâncias magnéticas, projeções de realidade virtual e impressão de modelos em três dimensões para preparar as cinco etapas da separação. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
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